
Ao vê-las, a primeira vez, exclamei: - Alphavelas!, aqueles espectros de cidade, favelas subindo morro acima em megalópoles interplanetárias, alphavilles de Flash Gordon/ Blade Runners.
Miragem figurativa minha, ilusão de ótica de um repertório interior que quer ver formas do mundo onde só existem formas cheias de si mesmas.
Mas não há só figura e não-figura: há, sobretudo, um território limítrofe, transfigurado.
Alphavelas de Leila-transfigurações. A fronteira é o país mais emocionante, a indecisão como fonte de prazer significante.
Uma alphavela é uma cidade nesse território: alphavelas matutinas, vespertinas, noturnas, contemporâneos futuros. A cidade não é um mero fruto da necessidade e do acaso: é um arquétipo da mente.
As alphavelas de Leila são arquétipos da sensibilidade, portas/janelas para uma desmedida dimensão.
Paulo Leminski 1988